Desde dezembro de 2015 eu tenho um título de mestre em “Social Journalism” pela CUNY em Nova York. O que é isso, exatamente?

A definição ainda está em construção, eu diria, mas Jeff Jarvis, meu professor e criador da primeira turma, costuma dizer o seguinte: “Jornalistas sociais não tiram onda com o tráfego, likes ou conteúdo viral — eles estão mais preocupados o impacto, e isso é resultado de nossa necessidade de achar novas maneiras de criar valor do que fazemos.”

Muitas organizações jornalísticas de hoje herdaram a escala industrial, de privilegiar “alcance” sobre qualquer coisa. O mestrado foi interessante porque a gente deu vários passos para trás para perguntar: por que estamos fazendo isso? Pra que serve o jornalismo? Isso é uma questão que me incomoda há alguns anos.

A minha pesquisa no mestrado acabou indo para estudar os comentários de internet. Muita gente fez piada com a escolha (masoquista!), mas a lógica parecia simples: uma das principais funções do jornalismo é fomentar um debate mais qualificado da população — seja expondo novos pontos de vista ou dando mais informações. Uma forma de medir se esse trabalho está dando resultado é ver como as pessoas estão reagindo a ele, algo facilmente visível hoje com os comentários, nos sites e redes sociais.

Acho que os comentários são bem importantes não só para a saúde de um site, mas para a democracia em geral. Expliquei o motivo na minha apresentação final do mestrado: