A casta política no Brasil tem alguns privilégios inexplicáveis. Um dos maiores: ministros, governadores e parlamentares têm aviões da FAB à disposição para se locomoverem pelo País.

Sabemos disso há anos, mas o Globo achou uma maneira bastante original de denunciar esse abuso: mostrando quantos transplantes de órgãos deixaram de ser realizados porque os aviões estavam ocupados.

A reportagem, a mais compartilhada da página no fim de semana de sua publicação, teve efeito quase imediato. Já na segunda-feira: Michel Temer assinou um decreto obrigando que “se mantenha permanentemente um avião no solo à disposição para qualquer chamada para o transporte desses órgãos.”

O Globo diz que a FAB “deixou de transportar 153 órgãos aptos a serem doados” porque não tinha aviões disponíveis. O decreto indica que esse número irá cair. Não podemos colocar isso na conta do jornalismo, da equipe dO Globo, especificamente?

Não é uma mera questão de vaidade jornalística. Dar mais valor e sistematizar a medição do impacto real do jornalismo, como defendo, é algo cada vez mais importante, inclusive comercialmente. O Globo vende a importância de sua assinatura como qualquer outro jornal, dizendo que lendo-o a pessoa será “melhor informada”.

Será que vender o “impacto”, algo como “O Globo: melhorando o transplante de órgãos do Brasil, salvando vidas” não fará com que mais gente assine? É uma ideia que, por exemplo, o Seattle Times assume.

Compare como O Globo se vende:

Vantagens de assinar

E como o Seattle Times o faz:

Seattle Times