Danny Page escreveu um post no medium que resume a minha frustração. O título: “Pare de usar o Google Trends”. É uma boa ideia. Saber o que as pessoas mais buscaram na internet serve para uma reportagem clássica de fim de ano e... Não muito mais que isso. Quando os dados do Google são usados para tentar provar algo mais complexo, o resultado quase sempre deixa a desejar.

O problema maior é que o Google Trends dá uma certa aura de “prova científica” para qualquer coisa que as pessoas queiram provar. Como Page nos mostra, depois do Brexit, pipocaram várias matérias como essa do Washington Post. O título: “Britânicos estão freneticamente googlando o que é a União Europeia, horas depois de votar para sair dela.”

Bem, de acordo com o Google Trends, americanos estavam desesperadamente perguntando quem era Barack Obama horas depois de elegê-lo.

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Que muita gente buscava informações sobre a União Europeia naquele dia não deveria ser surpresa. O que o número revela na verdade é os termos que as pessoas usam para fazer buscas na internet. Eu — e provavelmente você — fui treinado a colocar apenas as palavras-chave no campo de busca. Mas muita gente ainda coloca perguntas na caixinha do Google — a la Yahoo Respostas. Alguns vão mais longe, são gentis e pedem por favor — agradecendo inclusive.

E já que estamos aqui, aposto que esse estilo “bate-papo” de busca deve ficar mais comum, à medida que passamos a usar assistentes de voz como Siri, Alexa ou Google Now. Obviamente você pode imitar o comportamento com o teclado e simplesmente falar a palavra-chave para iniciar a busca, mas vamos querer conversar com essas inteligências artificiais.

Outra coisa que as reportagens baseadas no Google Now mostram é que podemos até estar dispostos a conversar com os assistentes de mentira, mas não tanto com as pessoas que pensam muito diferente da gente. E aí confiamos em pesquisas ou o Google Trends — especialmente se ele mostrar que quem pensa diferente é meio burro. Tudo que for necessário para não nos misturarmos com o “outro”.